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 20/12/2014 Tlaxcala, the international network of translators for linguistic diversity Tlaxcala's Manifesto  
English  
 UMMA 
UMMA / Obama não se livra da guerra do Afeganistão
Date of publication at Tlaxcala: 25/08/2012
Original: Obama returns to Afghan war
Translations available: Français 

Obama não se livra da guerra do Afeganistão

MK Bhadrakumar

Translated by  Coletivo de tradutores Vila Vudu

 

“Deus nos livre de mordida de cobra, garra de tigre e vingança de afegão” (provérbio afegão)*

Os incidentes “verde [atira] em azul”[1] no Afeganistão serão chamados de “ataques internos” pelos comandantes do Pentágono. É firme decisão de chamar pedra de pedra. Fato é que os afegãos estão cobrando sangue americano nas circunstâncias mais inesperadas, e os soldados dos EUA não têm meios para sabem quem é “afegão do bem” e quem não é.


Em terrível incidente 6ª-feira passada na província ocidental de Farah[2] (em região tida como relativamente calma), numa cerimônia de formatura de novos policiais afegãos integrados à força policial local, no instante em que um dos policiais recém-formados recebeu fuzil oficial AK-47, ele engatilhou o fuzil, virou-se e atirou a queima-roupa contra dois de seus instrutores militares norte-americanos, que morreram no ato.

Só em 2012 já se registraram 35 incidentes desse tipo. A frequência desses incidentes “verde – policiais afegãos em uniforme verde de treinamento – [atira] em azul” – está aumentando. Só na última quinzena, foram mortos 10 soldados norte-americanos.


A coisa está atingindo tais proporções, que os incidentes “verde em azul” podem converter-se em problema de campanha para o presidente Barack Obama nas eleições de novembro. Como poderia funcionar alguma “transição” da OTAN-EUA (transferir a responsabilidade às forças afegãs) em clima de desconfiança geral e crescente sobre quem é quem entre os aliados?

Obama falou longamente sobre esse assunto em conferência de imprensa na Casa Branca, na 2ª-feira. Admitiu que está “profundamente preocupado” com o aumento no número de baixas entre os soldados. E revelou que os altos comandantes norte-americanos estão mantendo “discussões intensivas (...) para garantir que controlemos o problema.” No momento em que Obama falava, os principais comandantes militares norte-americanos estavam reunidos em Cabul.[3].

Mas Obama não tinha qualquer solução efetiva a oferecer. Falou, em termos genéricos sobre a importância de “melhor contrainteligência, que garanta mais eficácia no processo de vetar afegãos candidatos ao serviço policial”; providências para garantir que “nossos soldados não sejam postos em situações de vulnerabilidade”, etc.

A melhor aposta que resta a Obama[4] é que, quando acabar a “transição”, e instrutores e soldados dos EUA já não tenham de manter contato direto com soldados afegãos, “o número de baixas diminua entre o nosso pessoal.”

Muito evidentemente, essa é uma das situações desesperantes sempre endêmicas em guerras assimétricas. Não é verdade que se possam atribuir os “ataques internos” inteiramente a infiltração pelos Talibã. Há um veio de “antiamericanismo” ativo aí, entre afegãos que podem não ser simpatizantes dos Talibã, mas se opõem por inúmeras razões à ocupação norte-americana.

O melhor modo de prevenir que se repitam os “ataque internos” será manter longe os soldados afegãos, a distância segura, é claro. Mas, nesse caso, o déficit de confiança só aumentará, se os soldados dos EUA passarem a exibir sempre armas carregadas (providência já autorizada e vigente), em atitude de quem vê com suspeitas todos os afegãos.

Obama tem razão. A melhor solução está mesmo na “indigenização” da guerra, de modo que os afegãos sejam deixados lá, a matarem-se uns os outros o quanto queiram, enquanto as forças norte-americanas de ocupação resguardam-se, na segurança e no conforto das bases militares, só deixando o abrigo para empreender ataques aéreos e operações clandestinas das forças especiais, ações que, como se sabe, não demandam qualquer contato direto com os pouco confiáveis soldados (e cidadãos em geral) afegãos.


[1] Lit. “verde (atira) em azul”; é variante da expressão blue on blue [lit. “azul (atira) em azul”], tradicionalmente usada pelos soldados da OTAN, nos casos que os militares dos EUA (e a imprensa-empresa de repetição e propaganda a eles associada) falam de “fogo amigo”. A OTAN usa a expressão “azul atira em azul”, tradicionalmente, na literatura sobre exercícios de treinamento militar, desde o Pacto de Varsóvia; naqueles exercícios, as forças ‘amigas’ vestiam azul; e as forças ‘inimigas’ vestiam laranja. No Afeganistão, os militares norte-americanos são os ‘verdes’, atualmente levando bala também de soldados afegãos, chamados ‘azuis’ [NTs].

 





Courtesy of Tlaxcala
Source: http://blogs.rediff.com/mkbhadrakumar/2012/08/21/obama-returns-to-afghan-war/
Publication date of original article: 21/08/2012
URL of this page : http://www.tlaxcala-int.org/article.asp?reference=8056

 

Tags: Afeganistão EUAataques internosObama
 

 
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