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 19/01/2021 Tlaxcala, the international network of translators for linguistic diversity Tlaxcala's Manifesto  
English  
 ABYA YALA 
ABYA YALA / Brasil: Carrefour mancha de sangue
Dia da Consciência Negra
Date of publication at Tlaxcala: 22/11/2020
Translations available: Deutsch  Français 

Brasil: Carrefour mancha de sangue
Dia da Consciência Negra

Neusa Maria Pereira

 

“ A violência colonial não tem somente o sentido  de não garantir o direito dos homens subjugados, procura desumanizá-los.”  

Jean-Paul Sartre, Prefácio a Os Condenados da Terra, de Frantz Fanon

Nós, negros e negras brasileiros, não tivemos nada para comemorar neste 20 de Novembro, data que assinala a morte de Zumbi, histórico herói negro eleito pelo povo. Neste dia, reservado à reflexão da importância da nossa presença na construção do país, nós, brasileiros de pele negra, só tivemos motivos para a indignação e a revolta contra o regime de apartheid vigente, que nos oprime, mata e violenta psicologicamente. Regime arbitrário que insiste em negar que o Brasil é um país racista, para melhor aperfeiçoar a dominação sobre negros e negras, ignorando a tragédia que vivemos todos os dias.

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Neste mês da Consciência Negra as Vidas Negras não Importam. No Brasil,  além disso, estamos entre o maior número de mortos pela pandemia Covid-19, devido à falta de políticas públicas que protejam nossa população, abandonada nas favelas e bairros sem infraestrutura necessárias à vida minimamente decente.

No mês de Zumbi, João Alberto Silveira de Freitas, negro de 40 anos que ganhava a vida como soldador autônomo em Porto Alegre, no extremo sul brasileiro, entrou em um supermercado Carrefour para comprar alimentos. Uma vida sem grandes sonhos. Saiu dele sem ela. Dois seguranças treinados (um deles do quadro da Brigada Militar gaúcha), estimulados por estereótipos escravagistas que nos desumanizam, encarregaram-se do serviço sujo para os quais foram contratados, a defesa incondicional da propriedade privada de uma companhia global.

João Alberto utilizou seus últimos momentos a pedir clemência, o que o ódio dos algozes negou-se a ouvir. O sangue negro, mais uma, vez gritou aos olhos da nação estarrecida com tamanha crueldade, inadmissível em qualquer ser vivente. A prática da violência é frequente neste supermercado. Soube, que ele esconde uma pequena sala em suas instalações, na qual seguranças embrutecidos submetem a constrangimentos clientes suspeitos de cometer pequenos roubos.

Desta vez, porém, eles exageraram na proteção do supermercado francês. Assassinaram covardemente quem nada havia furtado. E mesmo se o tivesse feito, nada justificaria a ação brutal, esta sim merecedora tanto de punição rigorosa dos assassinos, quanto de uma justa indenização milionária para suas três filhas e familiares que perderam o mantenedor de maneira vil. Racistas costumam pensar que negros e negras roubam em supermercados e shoppings, devendo ser vigiados como suspeitos. Brancos são livres para circular nesses espaços. A pele branca está além de qualquer desconfiança.

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Nijinsky negro

Outro acontecimento deste triste novembro foi a demissão de Ismael Ivo, bailarino negro, coreógrafo e diretor do balé da cidade de S. Paulo, ligado ao Teatro Municipal.  Ismael Ivo, bailarino de fama internacional, exibiu sua arte nos principais palcos do mundo, nos quais foi reverenciado pelo talento e beleza de sua arte. Graças a ela transformou-se em um dos principais nome da dança contemporânea do século XX, sendo considerado por uma das semanas de arte de Paris, o  Nijinsky negro.

Ismael Ivo sofre perseguição desde que assumiu a direção do balé da capital paulista. Os dirigentes do teatro nunca engoliram a presença do diretor negro à frente do Municipal.  Desde que assumiu o balé da cidade, Ismael Ivo implantou uma política de popularização do teatro, ao colocar negros e negras nos quadros de bailarinos. Abriu as portas aos excluídos da vida cultural da metrópole.

A iniciativa há muito desagradava os outros dirigentes. Assim, armaram, covardemente, uma série de denúncias contra o bailarino. Ismael Ivo foi inocentado de todas elas, mas não foi reconduzido ao cargo. A situação causou consternação e revolta na comunidade negra que vem lutando contra mais esse crime, que tenta manchar a história desse bailarino, sem precedentes na história da dança brasileira. Tais revezes, entretanto, não destruirão nossa luta contra o racismo enraizado na sociedade. Somos filhos de Zumbi dos Palmares, e filhos de Zumbi não fogem à luta.





Courtesy of Tlaxcala
Publication date of original article: 22/11/2020
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Tags: João Alberto Silveira FreitasCarrefour Porto AlegreCrimes racistasDia da Consciência NegraRacismoMês da Consciência NegraAfrobrasileirosBrasilAbya YalaNegricídios
 

 
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