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 20/10/2020 Tlaxcala, the international network of translators for linguistic diversity Tlaxcala's Manifesto  
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 ABYA YALA 
ABYA YALA / Do Uber ao Iber: as várias faces da precarização do trabalho na América Latina
Date of publication at Tlaxcala: 15/07/2020
Translations available: Français  Español 

Do Uber ao Iber: as várias faces da precarização do trabalho na América Latina

Gladstone Leonel da Silva Júnior

Edited by  Rodrigo Durão Coelho

 

O faminto entregador do Uber e o potosino Iber são algumas das faces dessa máquina de moer gente e sonhos chamada capitalismo

 

Esse mês foi noticiada a situação de precariedade dos trabalhadores de aplicativos (entregadores de serviços de delivery) nesse período de pandemia. Além de estarem mais expostos aos vírus e terem uma remuneração miserável repassada pelos aplicativos, como por exemplo, o “uber eats”, um entregador declarou no jornal: “entrego comida com fome”. Algo que torna mais trágico o enredo de superexploração.

Essa situação limite levou os entregadores a puxarem uma paralisação para o dia primeiro de julho de 2020. Um grito de basta ecoa diante dos efeitos da política neoliberal atual.

Essa situação me remeteu a um passado recente, de 10 anos atrás, e a uma história da continua exploração da nossa gente, como já descreveu Galeano nas Veias abertas da América Latina.  

Estava em Potosí, Bolívia, em janeiro de 2010 e minha primeira percepção na cidade foi a falta de um elemento básico: o oxigênio. Uma boa caminhada pela segunda cidade mais alta do mundo, só é possível mastigando um bom bocado de folhas de coca, utilizadas pelos cidadãos de lá.

A história chama a atenção ao visitar a Casa de la Moneda e verificar que a cidade foi a mais rica do mundo no século 17 devido à extração da prata. Ela era equiparada à capital da metrópole, Madri. Não por acaso, o time de futebol da cidade chama-se Real Potosí. Dessa pompa, o que restou? Junto ao status de “capital” ela também pode receber o título de cidade mais saqueada pelos colonizadores europeus.

O pior é saber que as vítimas de ontem também são as de hoje. Através de um discurso moderno e uma roupagem transnacional os exploradores são os mesmos.

Naquele contexto que conheci o guia mirim Iber, ao visitar as minas do monte conhecido como Cerro Rico. As galerias levam os visitantes a se deparar com condições insalubres de trabalho, talvez próximas ao que acontecia no século 17. Após vivenciar aquilo, descobri que de cada 10 trabalhadores/as mineiros, sete morriam em decorrência do próprio trabalho na mina. Literalmente, uma máquina de moer gente em nome do capital. Isso em 2010.

As igrejas, a espiritualidade no Deus “Tio”, o fumo, a aguardente, a folha de coca, amenizavam a curta vida do mineiro.

Enquanto guia, o menino Iber não precisava se submeter àquele trabalho naquele momento, mas, em breve, a sua hora chegaria. Como chegou a do seu pai, que com pouco mais de trinta anos já havia falecido em decorrência da silicose, doença pulmonar que atinge os que aspiram o ar da mina com frequência.

Iber, um órfão, potosino, de família pobre não terá escolhas caso faltem oportunidades e o destino continue apontando esse caminho à sua família. Em pleno século 21, ele tinha total consciência de que, se a lógica do capital prevalecesse, a sua expectativa de vida dentro de uma mina seria a de mais aproximadamente 15 anos e, em breve, ele poderia ser mais um número a compor as trágicas estatísticas e o destino fúnebre dos mineiros de Potosí.

O faminto entregador do Uber e o potosino Iber são algumas das faces dessa máquina de moer gente e sonhos chamada capitalismo. Não é possível pensar um mundo melhor sem interromper essa máquina, nem que seja um dia. Hoje é um desses dias! 

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Courtesy of Brasil de Fato
Source: https://www.brasildefato.com.br/2020/06/30/do-uber-ao-iber-as-varias-faces-da-precarizacao-do-trabalho-na-america-latina
Publication date of original article: 30/06/2020
URL of this page : http://www.tlaxcala-int.org/article.asp?reference=29317

 

Tags: #BrequeDosAppsGreve entregadoresRevoltas lógicasMineiros PotosiExploração capitalistaPrecarização do trabalhoBrasilBoliviaCrise do coronavírusAbya Yala
 

 
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