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 29/05/2020 Tlaxcala, the international network of translators for linguistic diversity Tlaxcala's Manifesto  
English  
 CULTURE & COMMUNICATION 
CULTURE & COMMUNICATION / A insuportável leveza da China
Recensão de "Has China Won?", de Kishore Mahbubani
Date of publication at Tlaxcala: 27/04/2020
Original: The unbearable lightness of China
Review of Kishore Mahbubani 's book, 'Has China Won? '

Translations available: Français 

A insuportável leveza da China
Recensão de "Has China Won?", de Kishore Mahbubani

Pepe Escobar Пепе Эскобар پپه اِسکوبار

Translated by  Coletivo de tradutores Vila Mandinga

 

Em seu novo livro, Kishore Mahbubani argumenta que o rejuvenescimento da China não é movido por impulso de ‘missão’ – fato que EUA debilitados recusam-se a ver

Escritor e ex-diplomata de Cingapura Kishore Mahbubani fala em evento da Asia Society (Foto de arquivo. Flickr Commons)

Como corporificação viva de como Ocidente e Oriente devem convergir, Mahbubani é muito mais capaz de falar sobre intrincados aspectos conectados à China, que os rasos, ocos, autodeclarados “especialistas” ocidentais em assuntos de Ásia e China.

Especialmente agora, quando uma guerra híbrida 2.0 carregada de demonização contra a China é feita por quase todas as facções no governo dos EUA, do Estado Permanente [também dito “Estado Profundo”, mas que não é ruim por ser profundo, é ruim por ser permanente (NTs)] e do establishment da Costa Leste.

Membro emérito do Instituto de Pesquisa sobre a Ásia da Universidade Nacional de Cingapura, ex-presidente do Conselho de Segurança da ONU (2001 e 2002) e reitor fundador da Escolha Lee Kuan Yew de Política Pública (2004-2017), Mahbubani é a quintessência do diplomata asiático.

Irritar interlocutores não é com ele. Ao contrário, sempre manifesta infinita paciência – e conhecimento de insider – quando se dedica a tentar explicar, especialmente a norte-americanos, o que faz a civilização-estado chinesa funcionar.

Em livro de argumentação elegante, cheio de fatos persuasivos, é como se Mahbubani esteja aplicando o Tao. Seja como a água. Deixe fluir. Ele flutua como borboleta e alcança ainda mais longe que sua “conclusão paradoxal”: “Uma grande disputa entre EUA e China é ao mesmo tempo inevitável e evitável”. E concentra-se nas trilhas rumo ao “evitável”.

O contraste com a forma mental confrontacional, emperrada e irrelevante da Armadilha de Tucídides prevalecente nos EUA não poderia ser mais patente. É iluminador observar o contraste entre Mahbubani e Graham Allison da Universidade Harvard – que parecem admirar-se mutuamente – num debate do China Institute.

Chave importante para o seu modo de abordar a questão aparece quando Mahbubani conta que sua mãe, hindu, costumava levá-lo aos tempos hindus e budistas em Cingapura – embora no estado-ilha a maioria dos monges budistas fossem de fato chineses. Aqui encontramos encapsulado o cruzamento cultural/filosófico chave Índia-China (em português, 247) que define o Leste da Ásia “profundo”, ligando confucionismo, budismo e o Tao.

Tudo sobre o EUA-dólar

Para agentes asiáticos, e para aqueles que, como no meu caso, realmente viveram em Cingapura, é sempre fascinante ver o quanto Mahbubani é essencialmente discípulo de Lee Kuan Yew, embora sem a arrogância. Dado que seu esforço para compreender a China por dentro, em todo o espectro, por décadas, é muito claramente exposto, Mahbubani está longe de ser discípulo do Partido Comunista Chinês (PCC).

E destaca esse ponto de várias formas, mostrando como, no slogan do partido, “Chinês” é muito mais importante que “Comunista”: “Diferente do Partido Soviético Comunista [ing. Soviet Communist Party, (the SCP)], não está surfando uma onda ideológica; surfa a onda de uma civilização ressurgente (...) a mais forte e mais resiliente civilização de toda a história.”

Inescapavelmente, Mahbubani delineia os desafios e fracassos geopolíticos e geoeconômicos de ambos, da China e dos EUA. E isso nos leva, pode-se dizer, ao argumento chave no livro: como ele explica aos norte-americanos a recente erosão da confiança global na ex “nação indispensável”; e como o EUA-dólar é agora o calcanhar de Aquiles do país.

Assim, mais uma vez, temos de enfrentar o pântano interminável do status de moeda de reserva; seu “privilégio exorbitante”, a recente total conversão do EUA-dólar em arma de guerra e – inevitavelmente – o contraponto: aquelas “vozes influentes” que agora operam para deixar de usar o EUA-dólar como moeda de reserva.

Entra em cena a tecnologia de blockchain e o movimento chinês para criar uma moeda alternativa baseada nessa teologia do “protocolo da confiança”. Mahbubani nos leva a um Fórum China Finance 40, em agosto do ano passado, quando o vice-diretor do Banco do Povo da China, Mu Changchun, disse que o PBOC estava “próximo” de emitir sua própria criptomoeda.

Dois meses adiante, o presidente Xi anunciou que a tecnologia blockchain passaria a ter “alta prioridade” e questão de estratégia nacional de longo prazo. Agora, está acontecendo. O yuan digital – como num protocolo soberano de confiança [ing. sovereign blockchain] – é agora iminente.

E isso nos leva ao papel do EUA-dólar no financiamento do comércio global. Mahbubani analisa corretamente que, assim que isso seja modificado, “o complexo sistema internacional baseado no EUA-dólar pode vir a baixo, rapidamente ou lentamente.” O plano máster da China é acelerar o processo conectando as próprias plataformas digitais – Alipay, WeChat Pay – num sistema global.

O século asiático

Como Mahbubani explica cuidadosamente, “os líderes chineses desejam rejuvenescer a civilização chinesa, mas não são movidos por qualquer impulso missionário para controlar o mundo e converter todos em chineses”. Apesar disso, “EUA convenceram-se de que a China ter-se-ia tornado ameaça existencial.”

Os melhores e mais brilhantes em toda Ásia, Mahbubani incluído, jamais deixam de se estarrecer ante a total inabilidade do sistema norte-americano para “proceder a ajustes estratégicos para essa nova fase na história”. Mahbubani dedica um capítulo inteiro – “Os EUA conseguem dar meia volta?” [ing. Can America make U-turns?”] – a essa questão.

Em apêndice, até acrescenta um texto de Stephen Walt, desmontando “o mito do excepcionalismo norte-americano”. Não se vê qualquer sinal de que o etos do Excepcionalistão esteja sendo seriamente contestado.

Recente matéria de McKinsey analisa se o “próximo normal” emergirá da Ásia, e algumas de suas conclusões são inevitáveis: “A futura história global começa na Ásia.” E vai muito além de números prosaicos: à altura de 2040, “espera-se que a Ásia represente 40% do consumo global e 52% do PIB.”

Naquela matéria lê-se que “talvez venhamos a olhar para trás, para a pandemia de hoje, como o ponto de virada, que deu realmente início ao Século Asiático.”

Em 1997, na mesma semana durante a qual estive cobrindo a ‘devolução’ de Hong Kong, publiquei um livro no Brasil, intitulado 21: O Século da Ásia [ing. 21st: The Asian Century]  (excertos de alguns capítulos podem ser lidos aqui e aqui , em português). Naquele momento e já vivia há três anos na Ásia e já aprendera algumas importantes lições da Cingapura de Mahbubani.

A China então ainda era ator distante no novo horizonte. Hoje o jogo é completamente diferente. O Século Asiático – na verdade, Século Eurasiano – já está em andamento, conforme a integração da Eurásia desenvolve-se, puxada por siglas que trabalham duro (ICE, Iniciativa Cinturão e Estrada; BAII, Banco Asiático de Infraestrutura e Investimento; OCX, Organização de Cooperação de Xangai; União Europeia Euroasiática, UEEA) e a parceria estratégica Rússia-China.

O livro de Mahbubani, ao capturar a insuportável, elusiva leveza da China, é a mais recente ilustração desse fluxo inexorável da história.

 

 

Kishore Mahbubani
Has China Won?
The Chinese Challenge to American Primacy

 

PublicAffairs, 9781541768130, 320pp.

Publication Date: March 31, 2020
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Courtesy of Tlaxcala
Source: https://asiatimes.com/2020/04/the-unbearable-lightness-of-china/
Publication date of original article: 23/04/2020
URL of this page : http://www.tlaxcala-int.org/article.asp?reference=28801

 

Tags: Kishore MahbubaniHas China won?China-EUA
 

 
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