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 CULTURE & COMMUNICATION 
CULTURE & COMMUNICATION / Por que Domenico Losurdo aplaude o massacre estalinista?
Date of publication at Tlaxcala: 09/02/2020

Por que Domenico Losurdo aplaude o massacre estalinista?

Mário Maestri

 

De tempo em tempo, sobretudo em momentos especiais, um intelectual farsante, apresentado como a luz do sol, encanta literalmente as classes médias com sandices conservadoras inomináveis. Sem exceção, todos quebram lanças em favor do capitalismo e contra o socialismo. Alguns têm alcance limitado, nacional. Outros, de maior coturno, dominam as ribaltas internacionais, sendo regiamente remunerados pelo feito. Essas operações podem exigir significativo número de sicofantas, que saltitam através do mundo oferecendo alegremente seus bons  serviços aos senhores do capital.

Em 1989, devido ao significado internacional da Revolução Francesa, seu II Centenário ensejou campanha conservadora de dimensões mundiais. Ela se centrou na história dos sucessos gloriosos, abordados no passado com maestria singular por uma plêiade única de historiadores, entre eles, Jules Michelet [1798-1874]; P. A Kropotkin [1842-1921]; Georges Lefebvre [1874-1959]; Albert Soboul [1914-82]; Daniel Guérin [1904-1988]. Apoiados pela grande mídia internacional, uma cáfila de distintos energúmenos lançou-se a uma estranha competição na qual vencia quem dissesse as estupidezes mais conservadoras sobre 1789.

"La marmite épuratoire des Jacobins" (A panela purificadora dos jacobinos), estampa francesa de 1793: armado com um escumador, o cozinheiro Robespierre, usando um boné frígio, examina Anacharsist Clots sob uma lupa enquanto Chaumette, Page, Danton e Desmoulins estão na panela.

Jacobinos bolcheviques 

Para François Furet (1927-97), o chefe da orquestra dos horrores, o “Terror”, ou seja, a repressão contra as forças monarquistas e antipopulares pelos revolucionários de 1789 teria constituído um "primeiro passo em direção ao Gulag" soviético.  Para Pierre Chaunu [1923-2009], outro prestigiado estulto, os gloriosos anos de 1789-1799 seriam "o decênio mais negro" da história francesa. E as abnormidades pulularam abundantes. Maximilien de Robespierre [1758-94] seria uma espécie de Hitler. A Revolução de 1789, o "primeiro genocídio ideológico" da Europa.  Existiriam "germes de stalinismo nos jacobinos”. 

O objetivo era, “desconstruindo” 1789, atingir o princípio da revolução social e, logicamente, seu mais elevado momento na história, que foi outubro de 1917. A grande imprensa mundial impulsionou sem peias a operação reacionária, definindo como grandes historiadores os ideólogos que tudo afirmavam, sem enrubescer e sem apresentar qualquer escora para o que diziam. O movimento surfava o avassalador tsunami contrarrevolucionário que atingiria a sociedade mundial, dois anos mais tarde, com a dissolução da URSS e dos países de economia nacionalizada e planejada do Leste Europeu.

 

O fim da história e da revolução social

Em 1992, no ano seguinte à “Queda do Muro de Berlim”, viveu-se uma outra operação mundial midiática conservadora, protagonizada por Francis Fukuyama e pelo seu livro apocalíptico, quanto ao socialismo e à revolução - O Fim da História e o Último HomemEm interpretação neohegeliana de botequim, o sociólogo estadunidense propunha que, com o fracasso  geral do socialismo, chegávamos ao literal fim da história. Já que não haveria mais revolução social e o capitalismo se espraiaria através do mundo, por milênios, satisfazendo as necessidades sociais e humanas.

A grande mídia entrou em orgasmo. O homem correu o mundo proclamando a boa nova do reino eterno do capitalismo liberal.  Em 1992, pasmem, ele foi convidado pela Prefeitura Municipal petista de Porto Alegre, que lhe pagou, dez mil dólares - alguns afirmam que foi 16 mil. Na época, horrorizado, batalhei e protestei, como pude, e consegui, como prêmio de consolação para os esquerdistas e progressistas porto-alegrenses, que trouxessem, junto, o  historiador marxista francês Pierre Broué, que conquistou o público com a forma e o conteúdo de sua lição consistente e glamourosa. Fukuyama leu com voz inaudível umas dez páginas de texto incompreensível e partiu com a guaiaca forrada. Após produzir enormes estragos, hoje, o é motivo de piada.

Comunistas comem criancinhas

Outra operação bombástica internacional foi preparada para 1997, quando dos oitenta anos da Revolução Russa. Autores “acadêmicos” ou com pretensões a tal, reunidos rapidamente, escreveram a toque de caixa, o Livro Negro do Comunismo: Crimes, Terror, Repressão. Entre eles estava Nicholas Werth, financiado pelo imperialismo estadunidense. Seis anos após a “Queda do Muro”, sob o martelar incessante da grande mídia internacional, o livro teve sucesso arrasador. Eu li o tijolo de fio a pavio, com ajuda de poderoso antiácido, já que jornalista amigo, da Zero Hora, me encomendou uma resenha, que se demorou meses para ser publicada, certamente devido intervenção superior. 

Um horror! Mistificação e farsa grotescas. No estilo leve e ligeiro do nosso Datena. Simplificando: os comunistas russos, chineses, cubanos, vietnamitas e por aí vai teriam matado, somados, metade da humanidade, por simples gosto de sangue.  Como tradicionalmente, não poupavam afirmações estarrecedoras, logicamente sem fontes comprovatórias. Ou com fontes fajutas e furadas. Eram histórias iguais às que os padres contavam, quando eu era guri, sobre a Revolução Espanhola. Os comunistas levavam as criancinhas da Espanha, diziam, para serem comidas na URSS. Só mais tarde ficamos sabendo quem realmente comia as criancinhas!

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Neoestalinismo - a nova onda

Vivemos hoje uma nova onda - o neoestalinismo. Ela pulula em forma desigual em diversos países do mundo, com forte virulência no Brasil.  Não conhece a mesma cobertura da grande imprensa e é destinada, sobretudo, a um público alvo mais restrito: a juventude militante de esquerda desinformada, com destaque para a de classe média, embalada agora pela descoberta de novo cavaleiro e profeta sem nódoa, de armadura prateada, que chega das trevas para tudo resolver: José Stalin. 

O presente fenômeno é novo, complexo e de múltiplas raízes. A novidade é que esta nova tentativa de recuperação do estalinismo não propõe retorno à ordem socialista burocrática e autoritária de antes da morte do grande líder, em 1953. Nisso, se diferencia fortemente dos nostálgicos do “Pai dos Povos”. O neoestalinista milita pelo enfraquecimento do princípio da centralidade dos trabalhadores na luta política. Em verdade, trata-se de proposta de mobilização pós-socialista, de literal abandono da revolução social. E é nisso que se abraça- com as campanhas que acabamos de assinalar. 

 

Profeta desterrado

No Brasil, o neoestalinismo teve um profeta italiano que, como é de praxe, jamais fez sucesso em sua terra. Domenico Losurdo, filósofo neohegeliano, professor universitário, manteve sempre uma orientação política filo-estalinistas, até  falecer, em 2018, aos 77 anos. No Brasil, consagrou-se com o livro Stalin:  história crítica de uma lenda negra, de 2008, no qual elogia sem travas o “Pai dos Povos” - grande político, teórico, linguista etc.; homem humilde, sem vaidade e por aí vai. Só voar, não voava. Mas, como proposto, seu objetivo ia além da recuperação do estalinismo, já ensaiada, no passado, múltiplas vezes, com escasso sucesso.

O livro tem doze velinhas. Em cada um desses anos fui, ao menos uma vez, à Itália. Jamais ouvi uma discussão ou debate de fôlego sobre a produção do homem. Stalin mereceu na Itália um par de comentários que não deixaram de registrar os tropeços metodológicos e a ausência quase total da historiografia séria sobre o tema. Meu filho, italiano, tem a península e o marxismo como referências centrais. Ralhou-me por “gastar pólvora em Chimango”, como dizemos no Sul. No livro tem um ensaio de Luciano Canfora, esse sim, um reconhecido intelectual de esquerda, também inclinado ao estalinismo, um bom amigo que lamentavelmente não vejo há anos. Nos anos 1980, publicou artigos meus sobre a escravidão colonial em sua revista especializada na escravidão clássica, seu principal tema.

Uma querida companheira, médica e neoestalinista de carteirinha, vivia me incomodando para ler o tal de Losurdo. Escutei no YouTube tamanhos desatinos ditos em nome do homem que decidi ler, com cuidado, o tal de Stalin. Confesso que não foi fácil. O livro é mal pensado, mal escrito, arrastado. E o que diz e como diz o livro, um desastre, no estilo dos citados François Furet e Nicholas Werth, que o italiano não só cita como apoia não poucos de seus argumentos. 

Grande parte do livro é uma verdadeira encheção de morcilha, com dezenas e dezenas de páginas arrastadas sobre os crimes do colonialismo e do imperialismo, na África, na Ásia, nas Américas, do século 16 ao 21. Com elas, o autor pretende contrabalançar as monstruosidades estalinistas. Qualquer coisa como: o estalinismo fez, mas o imperialismo fez ainda pior.  O autor parece esquecer que matar camponeses, trabalhadores e comunistas faz parte da natureza profunda do capital. E que o socialismo é exatamente a antítese desses atos.

Marxista pré-marxista

O talvez interessante é que, aqui, no Pais dos Papagaios, Losurdo é tido como marxista, apesar de se apresentar epistemologicamente, em Stalin, como um neohegeliano assumido. Em verdade, Hegel, filósofo dos tempos do surgimento dos Estados nacionais, é utilizado, praticamente sem mediação, na Era da Globalização, para solucionar hiatos de informação ou factuais, com saltos lógicos, sem apoios em informações objetivas. No estilo, se o avô plantava maconha, logicamente, o neto enrolava baseado! Pode ser detalhe, mas, no Índice dos nomes do livro, o italiano cita uma vez Marx e treze vezes Hegel!

Quando Losurdo morreu, não poucos intelectuais nossos o saudaram como um dos grandes marxistas dos nossos tempos! No Facebook, um jovem losurdista fanático, e há diversos, propôs que o italiano superara o próprio Eric Hobsbawm, historiador marxista sério, homem de vasta cultura, com larguíssima e valiosa contribuição, sobre variados temas, respeitando sempre as práticas da produção científica nas ciências sociais.   

Mas o verdadeiramente paradoxal é o núcleo central da narrativa de Stalin, o que me levou a propor o italiano como, não apenas farsante, como, também, falsário. Farsante, por se esforçar em passar pelo que não é. Falsário, por traficar intencionalmente o produto que entrega. Losurdo propõe que o massacre pelo estalinismo de multidões de bolcheviques na URSS, além de outras barbaridades, foi justificado e necessário, pois feito em defesa da União Soviética. Chega a propor que o “Pai dos Povos” foi comedido. Ou seja, sugere praticamente que “Stalin matou foi pouco”! 

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Fábula macabra!

Simplificando, a historinha que o neo-Pinóquio conta é a seguinte. Stalin ficou com o poder pois tinha os pés na terra - ele seria, literalmente, “o cara” do Partido Bolchevique. E, por amor ao poder, lá por 1926, Trotsky, ajudado por Kamenev e Zinoviev, tentou um golpe de Estado para tomar em mãos as rédeas da URSS. Em 1927, conta o italiano, Trotsky teria organizado seus milhares de militantes, através de toda a Rússia, e sobretudo, suas dezenas de milhares de apoiadores nas forças armadas e na GPU, para o tal de golpe de Estado.  Foi Trotsky, é bom lembrar, que fundou o Exército Vermelho e venceu a Guerra Civil. A insurreição eclodiria no décimo aniversários da Revolução Russa. Ou seja, em  8 de outubro daquele ano.

Bem, ai, sem transição, em umas duas linhas, o neo-Pinóquio diz que o golpe fracassou! Não diz onde, não diz quando, não diz o porquê. E, uma mobilização de milhares de militantes e, sobretudo, batalhões de soldados, de marinheiros, de aviadores, de agentes da GPU teria levantado muita poeira e deixado centenas de milhares de documentos e registros. Porém, não há um só documento, uma só fonte fidedigna, sobre esse sucesso transcendental, registrados pela historiografia especializada séria! 

Trotsky teria saído bem da tentativa de golpe militar pela qual mereceria, se tivesse ocorrido, a pena capital. Foi apenas expulso do Partido, em 1927, e da União Soviética, em 1929, com 1.500 dólares no bolso! Mas, segundo o italiano, Trotsky não teria desanimado. Com seus agentes no interior e enviados do exterior, teria organizado centenas ou milhares de ataques terroristas para sabotar a União Soviética - destruições de pontes, assaltos a trens, quem sabe que outras coisas macabras.  O que certamente teria exigido milhões de dólares!

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Nem um só documento

Também desses milhares de atos terroristas trotskistas não há um só documento positivo! E nenhum historiador sério - de direita, esquerda, centro - se refere a tal fato. Em 1927, os militantes da Oposição de Esquerda estavam perdendo o trabalho, sendo perseguidos, enviados para a prisão. Realidade sobre a qual temos farta informação fidedigna. E nos anos seguintes, a situação pioraria. Em 1938, dos prisioneiros da Oposição de Esquerda, praticamente não sobrevivera ninguém. Victor Serge e Anta Ciliga, militantes da oposição e presos políticos, escaparam ao fuzilamento por terem nacionalidade estrangeira. Eles relataram em detalhes, e com maestria, esses anos de noite profunda. De seus relatos, não temos registro, no Stalin, do italiano!

Mas o que reivindicavam esses militantes políticos bolcheviques, apresentados como “terroristas” por Domenico Losurdo, o assassino de memórias. Desde 1923, a Oposição de Esquerda mobilizava-se, nos quadros estatutários do Partido Bolchevique, politicamente, exigindo a industrialização; a devolução do poder aos sovietes; o fim dos privilégios burocráticos; o retorno ao internacionalismo.  Ou seja, a volta e o respeito aos princípios que haviam guiado os bolcheviques ao assalto ao poder, em 1917, e à constituição da URSS. 

Após 1927, a Oposição de Esquerda Internacional viveu eternamente na carência e penúria de recursos financeiros mínimos. No exterior, Trotsky valeu-se de seu virtuosismo como escritor para se sustentar. Eu estive na última casa de Trotsky, em Coyoacán, que devia ser, segundo Losurdo, o QG da grande conspiração terrorista contra a URSS.  Uma casa de classe média, na periferia da cidade do México, lá onde Judas perdeu as botas. Na casa, apenas os muros altos davam falsa impressão de segurança. Tinha um pátio pequeno, onde Trotsky criava galinha e coelhos, que terminavam na mesa, para diminuir os gastos com a alimentação. 

Por que a falsificação da história

Losurdo falsifica a história com um principal e grande objetivo: justificar a ação de Stalin e do estalinismo. Propõe, portanto, que o “Pai dos Povos” e seus meninos, vendo a União Soviética sendo atacada bestialmente pelo proposto movimento golpista e terrorista de Trotsky, se lançaram briosos na defesa do país, matando tantos quantos acreditavam fosse necessário. Tratou-se, portanto de uma necessidade histórica, que deve ser considerada como tal. Ao fazer as contas sobre a mortandade, Losurdo deixa entender que, no frigir dos ovos, “Stalin matou foi pouco”. 

O mais divertido é que o italiano diz que Stalin e seus sicários começaram a impor o terror para melhor defender a União Soviética da intenção nazista de escravizá-la. Por isso, iniciaram o ataque direto e físico a Trotsky e à Oposição de Esquerda em 1927, ataque que se radicalizaria nos anos seguintes, até paroxismo inimaginável. O problema é que, naquele ano, os nazistas estavam ainda muito longe de conquistarem o poder na Alemanha! Eram simplesmente um projeto de destino então imprevisível. Losurdo termina dizendo que Trotsky e os seus colaboraram com os nazistas, objetiva e talvez subjetivamente! E, o que é ainda melhor, que Trotsky -judeu- sonhava com a vitória do nazismo sobre a URSS, para voltar ao poder!



Cartaz do Partido Comunista Israelense celebrando o 70º aniversário de Stalin (que tinha apoiado fortemente a criação do Estado sionista em 1947)

Não vamos nos deter no massacre que cimentou a ditadura burocrática. Praticamente todo o comitê central de Lênin e a quase totalidade da velha guarda bolchevique. Quinze mil oficiais do Exército Vermelho, construído e comandado por Trotsky, quando da Guerra Civil, em 1919-1922. No “Grande Terror” [1934-8], seis milhões morreram, por razões políticas ou faleceras devido à imposição de uma industrialização e coletivização do campo desorganizada, autoritária, feita literalmente a facão! O “Grande Terror” impôs igualmente a disciplina do medo aos partidos comunistas fora da URSS.

"Aqui está toda a diferença": desenho do chargista russo Mad na revista francesa Marianne, 1939

Leituras poucas, nariz de Pinóquio

Mas quais são as fontes de Losurdo para esses disparates terraplanistas! Como historiador profissional, fui atrás. Toda a história do golpe  se apoia quase essencialmente em um livro, escrito nos anos 1930, por um outro farsante e aventureiro, um camisa negra que fez a Marcha sobre Roma com Mussolini: Curzio Malaparte, Tecnica del Colpo di Stato, de 1931. E mais. O que me deixou boquiaberto. Losurdo empreende um ataque geral a León Trotsky, o Ogro do bolchevismo; à Oposição Internacional de Esquerda; ao movimento trotskista, praticamente sem ler … os historiadores e teóricos trotskistas! Sequer cita -e creio que não leu, ao escrever Stalin- a icônica  biografia  de Trotstky -Profeta Armado, Desarmado, Banido- de Isaac Deutscher! Qualquer coisa como criticar Cristo sem ler os Evangelhos!  

E o homem pretendeu revolucionar a história da Revolução Russa sem colocar o pé em um arquivo, uma só vez que fosse. E não falo dos arquivos da ex-URSS, hoje acessíveis aos historiadores, pois o italiano pontifica sobre tudo que diz respeito à Rússia e a URSS e… não lê russo. Melhor ainda: cita e se apoia habitualmente em autores anticomunistas primários, como proposto! Embaralha, como também já dito, as cronologias. Conhece pouco a história do comunismo internacional e da URSS. Um exemplo: mais de uma vez, cita Kerensky como menchevique! Mesma coisa que escrever sobre o Brasil e dizer que o Zé Dirceu era militante do PSB! Não fez mais do que um resenhão, salpicado de elucubrações fantásticas.

Mas para que tudo isso? Qual o objetivo? Qual a razão desse farsante e do neoestalinismo terem tido sucesso? Sugerimos telegraficamente o principal objetivo do neoestalinismo: combater a centralidade do proletariado na emancipação social e o próprio princípio de revolução social. E, como razão do seu sucesso relativo a enorme debilidade dos trabalhadores através do mundo e, especialmente, no Brasil.

 Ver, para maiores detalhes: Domenico Losurdo, um farsante de sucesso na Terra dos Papagaios

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"O dia dura mais de cem anos": um verso de Boris Pasternak, o poeta antiestalinista, usado como título do romance de Chinghiz Aitmatov, o grande escritor quirguize soviético, publicado em 1980, e aqui reusado pela revista satírica Krokodil, em 1989, como lenda deste retrato do pequeno pai dos povos

 





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Publication date of original article: 09/02/2020
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