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 09/08/2020 Tlaxcala, the international network of translators for linguistic diversity Tlaxcala's Manifesto  
English  
 ABYA YALA 
ABYA YALA / Chile: "Nos tiraram tudo, até o medo"
Date of publication at Tlaxcala: 31/10/2019
Original: Chili : "Ils nous ont tout enlevé, même notre peur"
Translations available: Español 

Chile: "Nos tiraram tudo, até o medo"

Jérôme Duval Жером Дюваль جيروم دوڥال

Translated by  Rui Viana Pereira

 

O poderoso levantamento do povo chileno contra o custo de vida e as desigualdades sociais não esmorece, apesar de sofrer uma repressão sem precedentes desde o fim da ditadura.

Enquanto no Equador uma insurreição popular levada a cabo pelo movimento indígena pôs termo a uma medida económica, imposta pelo FMI, que implicava uma subida espectacular do preço dos combustíveis, e por consequência do preço dos alimentos, o presidente do Chile, por vezes denominado «Berlusconi Chileno», viu-se obrigado a renunciar a uma subida do preço dos transportes, face à contestação. Pela primeira vez desde o fim da ditadura, o Governo recorreu ao estado de emergência, pondo o exército em campo em todo o país, determinado a sufocar a revolta em curso contra o modelo neoliberal dos Chicago boys.

O Chile entrou em período insurreccional desde 18 de outubro. Nesse dia multiplicaram-se as acções de «borla massiva» [acto de protesto dos estudantes que consiste em passar em massa por cima das cancelas do metro, sem pagar] [1], acabando por impor a interrupção total do serviço. A cólera da população estudantil intensificou-se a seguir contra o aumento, de 800 para 830 pesos, do preço dos bilhetes de metro em Santiago, no seguimento de um aumento de 20 pesos em janeiro passado. O metro da capital chilena, que tem a rede mais extensa da América do Sul (140 km), transporta diariamente cerca de 3 milhões de passageiros, numa área urbana com 7 milhões de habitantes.

Extensão do domínio da luta

O presidente Sebastián Piñera – uma das cinco pessoas mais ricas do Chile, com fortuna feita durante a ditadura e actualmente estimada em 2,8 mil milhões de dólares, segundo a revista Forbes, [2] acabou por ceder. A 19 de outubro anunciou a anulação da subida de preço dos bilhetes do metro e dos autocarros Transantiago, medida que, desde o seu anúncio a 6 de outubro, provocou um vasto movimento de protestos em todo o país. Mas esta concessão de Piñera chegou tarde: o aumento de 30 pesos foi a gota de água que fez transbordar a cólera popular, expressa no slogan «Não é por 30 pesos, é por 30 anos» («No es por 30 pesos, es por 30 años»), que mostra a exasperação do povo chileno em resultado das contra-reformas neoliberais anti-sociais levadas a cabo desde o fim da ditadura. Ultrapassado pelos acontecimentos, o presidente decide nesse mesmo dia colocar os militares nas ruas; foi o mesmo que soprar as brasas de um conflito em plena propagação. De facto, o envio do exército para as ruas da capital, onde foi declarado o estado de emergência – alargado, durante a noite, a duas outras regiões, Valparaíso (centro) e Conceptción (sul) –, agitou profundamente os ânimos num país traumatizado pela ditadura militar de Augusto Pinochet (de 1973 a 1990) – falecido em 2006 sem ter sido julgado pelos seus crimes, que fizeram mais de 3200 mortos e desaparecidos e 38 000 torturados. [3]

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"Nos tiraram tudo, até o medo" (Chile)





Courtesy of CADTM
Source: http://www.cadtm.org/Chili-Ils-nous-ont-tant-vole-qu-ils-nous-ont-meme-pris-notre-peur
Publication date of original article: 23/10/2019
URL of this page : http://www.tlaxcala-int.org/article.asp?reference=27348

 

Tags: Revoltas lógicasInsurreições popularesPiñocheraChileAbya Yala
 

 
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