TLAXCALA تلاكسكالا Τλαξκάλα Тлакскала la red internacional de traductores por la diversidad lingüística le réseau international des traducteurs pour la diversité linguistique the international network of translators for linguistic diversity الشبكة العالمية للمترجمين من اجل التنويع اللغوي das internationale Übersetzernetzwerk für sprachliche Vielfalt a rede internacional de tradutores pela diversidade linguística la rete internazionale di traduttori per la diversità linguistica la xarxa internacional dels traductors per a la diversitat lingüística översättarnas internationella nätverk för språklig mångfald شبکه بین المللی مترجمین خواهان حفظ تنوع گویش το διεθνής δίκτυο των μεταφραστών για τη γλωσσική ποικιλία международная сеть переводчиков языкового разнообразия Aẓeḍḍa n yemsuqqlen i lmend n uṭṭuqqet n yilsawen dilsel çeşitlilik için uluslararası çevirmen ağı

 18/06/2019 Tlaxcala, the international network of translators for linguistic diversity Tlaxcala's Manifesto  
English  
 AFRICA 
AFRICA / Sahara Ocidental – e agora?
Date of publication at Tlaxcala: 01/06/2019
Translations available: English  Español  Français 

Sahara Ocidental – e agora?

Isabel Lourenço

 

Vários acontecimentos desde a eleição de António Guterres como Secretário Geral das Nações Unidas levaram alguns simpatizantes da causa saharaui a pensar que a resolução do conflito estaria bem encaminhada. Esta “tendência de reflexão” também foi apoiada nas redes sociais, blogues e meios de comunicação social.

Na verdade, sempre me surpreendeu todo o entusiasmo em torno do novo Secretário Geral que durante uma década foi o Alto-Comissário das Nações Unidas para os Refugiados e subscreveu corte, após corte na ajuda humanitária aos campos de refugiados saharauis.

As expectativas criadas em torno do ex-primeiro ministro de Portugal, deviam-se ao facto de ser simpático e educado, uma qualidade que felizmente quase todos os políticos em Portugal, da esquerda à direita, compartilham. Mas a educação e simpatia nada tem a ver com os posicionamentos políticos.

A falta de conhecimento e analise do percurso politico do novo secretário geral, das suas “alianças” e ”simpatias” na arena internacional levaram a um entusiasmo pouco realista.

Segue-se a eleição de Horst Koehler para enviado pessoal do SG para o Sahara Ocidental. Uma nova onda de entusiasmo pouco compreensível varre as redes sociais, blogues e meios de comunicação social. Koehler é um homem das finanças, não da economia, mas das finanças, do grande capital. A sua demissão ao cargo de Presidente da Alemanha foi fruto de declarações escandalosas sobre a “mais valia” e “interesse positivo” que a guerra do Afeganistão e outras têm para a economia alemã. Mais não fez do que dizer a verdade, quase todos os países ocidentais ganham com as guerras que fomentam, apoiam, e financiam, publicamente ou por trás do cenário, guerras que destroem países e povos.

Koehler desenvolveu o “Plano Marshall para África” , uma linha de pensamento agora também adoptada pelos EUA que pensam que acordos económicos podem sobrepor-se à soberania dos povos e que os mesmos se vendem por “benefícios económicos” aos ocupantes, torturadores, violadores e assassinos.

Koehler iniciou novos encontros entre a Frente Polisario e Marrocos com a participação de Mauritânia e Argélia como observadores. Negociações estas que foram uma espécie de penso rápido para acalmar o descontentamento e desilusão da população saharaui com a comunidade internacional.

Recorde-se que durante e após o desmantelamento de Gdeim Izik, em 2010, também houve “conversações” quando o que deveria ter sido feito de imediato era uma acção militar das Nações Unidas para proteger a população saharaui atacada por Marrocos, numa clara violação do cessar-fogo.

Koehler visitou os territórios ocupados e o seu comunicado foi claro no que se poderia esperar, ou seja nada. Um comunicado em que o enviado pessoal se mostra preocupado para que se encontre uma solução de forma a “permitir o investimento estrangeiro” e desenvolvimento económico.

Nem uma palavra sobre as atrocidades vividas pela população saharaui sob ocupação marroquina, nem uma palavra sobre a manifestação pela independência do Sahara Ocidental durante a sua visita e que foi brutalmente reprimida pelas autoridades de ocupação.

Enquanto isso os documentos produzidos no seio da ONU mudam pouco a pouca a terminologia quando se fala do Sahara Ocidental. Uma tendência iniciada durante o tempo de Ban Ki Moon, que foi secretário geral antes de Guterres e que continua a ser seguida.

Uma palavrinha aqui, um adjectivo ali, um nome, um verbo, pouco a pouco e quase silenciosamente se introduzem nos relatórios e resoluções.

Todo indica o plano de autonomia proposto por Marrocos como sendo a tal solução “viável, prática e pragmática” a real politik no seu melhor sem contemplar a vontade do povo saharaui, sem respeitar as resoluções das Nações Unidas, da União Africana, do Tribunal Internacional, do Tribunal de Justiça da União Europeia nem o próprio acordo de cessar fogo assinado pelas partes (Marrocos e Frente Polisario).

A grande preocupação na busca de uma solução não é o direito inalienável do povo saharaui à soberania, e o fim de uma ocupação brutal marroquina e a descolonização definitiva do território por Espanha, mas sim os interesses económicos e geostratégicos do “grupo de amigos do Sahara”. Uma denominação hilariante e cheia de hipocrisia que engloba Espanha (colonizador perante a lei até aos dias de hoje), França (apoiante de Marrocos e dependente de Marrocos para as suas aventuras e roubos em África) ; EUA (que também utilizam Marrocos para avançar as posições de Israel para além de operações “negras” no médio oriente e norte de África), Reino Unido membro da NATO juntamente com Espanha, França e EUA e por fim a carta fora do baralho, a Rússia.

A demissão de Koehler não é surpreendente, a razão oficial é o seu estado de saúde, mas mesmo a imprensa Alemã duvida de tal facto que já tinha sido a desculpa oficial quando se demitiu da presidência do seu país.

Esta demissão tem um timing interessante, no meio de uma mudança politica da Argélia, que é um apoiante inabalável do povo saharaui e a proposta do “acordo do século” de Trump para Israel/Palestina.

Os EUA apoiam tradicionalmente o plano de autonomia de Marrocos, apesar de haver algumas vozes discordantes dentro das várias administrações das últimas décadas. A situação volátil interna de Marrocos faz com que os EUA tenham um “monarca na gaveta” caso o Rei Mohamed VI seja deposto. O príncipe Hicham Alaoui, primo do Rei actual, cuja família foi chacinada e vive grande parte do seu tempo nos EUA. Sempre que há indícios de crise no Reino de Marrocos, o príncipe Hicham tem direito a uma entrevista em horário nobre nas TV’s dos EUA. Uma prática recorrente dos EUA que parecem não aprender com a história.

Trump precisa de Marrocos para convencer os países do médio oriente e África a apoiar ou no mínimo não se oporem ao “acordo do século”. Este acordo que prevê concessões económicas aos Palestinianos e vantagens económicos para Israel é muito na linha do pensamento de Koehler, ou seja, pensam que os povos podem ser “convencidos” através de soluções económicas e não politicas.

O plano de Trump está cheio de elementos que nunca serão aceites pelo povo palestino, mas ainda mais alucinante é a “proposta” de alteração da fronteira do Egipto de forma a parte do território Egípcio passar a ser Palestino.

Trump e a sua administração parecem ignorar o facto do Egipto ser um país africano e para além do pormenor de que o povo deste país teria que aceitar “dar” parte do seu território, existe outro factor que é o acto constitutivo da União Africana que é claro quanto a não alteração das fronteiras existentes no acto da descolonização.

Segundo analistas e jornalistas que o PUSL/Tornado contactou no Médio Oriente e África este acordo será o inicio de mais uma guerra sem precedentes e Marrocos está mais uma vez a apoiar os EUA em troco do apoio ao seu plano de autonomia.

O Status Quo implementado é de tal forma que num recente artigo do Modern Diplomacy (The labyrinth of the special envoys to settle the question of Western Sahara), o autor Ali El Aallaoui defendia que a questão do Sahara Ocidental deveria ser transferida do capitulo VI da ONU – resolução pacífica de disputas para o capitulo VII – Acções com respeito a ameaças de paz, violações de paz, e actos de agressão.

Marrocos e a comunidade Internacional

Os recursos naturais e as actividades económicas no território do Sahara Ocidental ocupado por Marrocos são de extrema importância para o reino alauita. Sem estes recursos e a deslocação de parte da população marroquina para este território a situação já de si explosiva de Marrocos, seria catastrófica.

Marrocos joga com a comunidade internacional o jogo de trocas e favores para poder manter o Status Quo da ocupação. Não existe nenhuma razão pela qual a comunidade internacional não pudesse negociar, investir e mesmo explorar as riquezas sendo os saharauis os administradores do território.

Marrocos utiliza a chantagem do fluxo migratório para a Europa, os enclaves de Ceuta e Mellila, o controle de Narcotráfico, as negociatas em África para favorecer os amigos franceses, apoio aos EUA e Israel e outras artimanhas para continuar a ter o apoio silencioso da comunidade internacional.

O momento

A situação actual com a demissão de Koehler e o relatório do SG que é francamente decepcionante (excepto na parte relativa aos direitos humanos devido à acção constante e consistente da advogada de defesa dos presos políticos saharauis e de alguns observadores internacionais), levanta sérios problemas à Frente POLISARIO.

O movimento de libertação e legitimo representante do povo saharaui encontra-se de novo numa encruzilhada devido ao facto de continuar a respeitar as decisões das Nações Unidas. Uma tarefa difícil, uma prova de fogo está diante da POLISARIO que tem uma população inteira totalmente decepcionada com a comunidade internacional e vê agora mais uma vez uma solução pacifica adiada sine die.





Courtesy of Tornado/PUSL
Source: https://www.jornaltornado.pt/sahara-ocidental-e-agora/
Publication date of original article: 31/05/2019
URL of this page : http://www.tlaxcala-int.org/article.asp?reference=26156

 

Tags: Sahara icodental ocupadoOcupação marroquinaAntónio GuterresHorst KöhlerONUMINURSOFrente POLISARIORASD
 

 
Print this page
Print this page
Send this page
Send this page


 All Tlaxcala pages are protected under Copyleft.