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 18/06/2019 Tlaxcala, the international network of translators for linguistic diversity Tlaxcala's Manifesto  
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 UNIVERSAL ISSUES 
UNIVERSAL ISSUES / Funcionários dos EUA ofereceram dinheiro ao meu amigo para derrubar a rede elétrica de Teerã
Fazendo luz sobre blecaute na Venezuela
Date of publication at Tlaxcala: 16/03/2019
Original: US officials offered my friend cash to take down Tehran’s power grid
Shedding light on Venezuela power outage

Translations available: Español  Italiano  Français  فارسی 

Funcionários dos EUA ofereceram dinheiro ao meu amigo para derrubar a rede elétrica de Teerã
Fazendo luz sobre blecaute na Venezuela

Sharmine Narwani شارمين نرواني

Translated by  Coletivo de tradutores Vila Mandinga

 

Foi preciso blecaute nacional na Venezuela, suspeitas de ciberataque e tweets de autoelogio de funcionários do governo dos EUA para me fazer lembrar, de repente, a história de chanchada de capa & espada, há nove anos, de um grande amigo iraniano-norte-americano.

Meu amigo, engenheiro – cujo nome não cito por razões óbvias, "Kourosh", nesse artigo, contou-me, em 2010, que foi abordado por dois "funcionários do Departamento de Estado" que lhe ofereceram $250 mil dólares para "fazer algo bem simples" durante a viagem que faria a Teerã.

Kourosh estava furioso, primeiro, porque não entendia como aqueles sujeitos sabiam que iria a Teerã; segundo, porque também sabiam que estava "completamente quebrado", precisando de dinheiro.

Meu amigo não era pessoa particularmente política, embora tivesse participado de alguns protestos da DC após as disputadas eleições presidenciais de 2009 no Irã. Era um dos milhares de engenheiros iranianos-americanos no cinturão de tecnologia Washington-Maryland-Virginia à procura de uma vida decente.

Kourosh disse aos funcionários dos EUA que não estava interessado, que se o Irã precisasse fazer mudanças, os iranianos dentro do país eram os únicos que deveriam fazê-lo.

Implorei-lhe que me deixasse escrever esta história, mas ele estava muito nervoso e recusou. No primeiro ou segundo anos seguintes, insisti mais um pouco e ele me deu mais informações, mas não cedeu na autorização para publicar. Eis o que ele revelou:

Os sujeitos do Departamento de Estado já se haviam aproximado dele uma segunda vez. Deram-lhe mais detalhes sobre o trabalho. Queriam que ele desabilitasse a rede de energia de Teerã em troca dos 250 mil dólares. Precisavam de alguém com habilidades técnicas, mas disseram que o trabalho era simples. Ele teria de ir a um local específico na área de Teerã, com um laptop ou dispositivo de comunicação similar e introduzir um código.

Kourosh até me disse o código. Disse que o tinha memorizado e que podia repetir dormindo. Aqui está: 32-B6-B10-40-E (símbolo do épsilon)

Ok, não é o código real, mas é muito parecido: mesmo formato, mesma sequência e quantidade de números e letras. Não me sinto à vontade para publicar o código caso, caso interesse a alguém – desculpem.

Se alguém sabe o que poderia ser este código, por favor comente abaixo. Um colega com formação em engenharia disse o seguinte: "Pode ser uma senha para redes de energia ou qualquer equipamento comandado por um sistema eletrônico ou computadorizado. Os fabricantes têm códigos que usam para depurar ou reinicializar um sistema. Os sistemas de controle são todos eletrônicos e, às vezes, por qualquer motivo (como um terremoto), algo é acionado e o sistema se desliga. E, em seguida, você o redefine e insere o novo código. Se você consegue hackear o sistema, não precisa estar lá perto, mas hackear é naturalmente mais difícil. Se eles (os americanos) precisavam ter alguém fisicamente ali, próximo, para a tentativa de sabotagem, isso provavelmente significa que eles não tinham acesso remoto ao sistema."

Não sei por que Kourosh receberia esse nível de detalhe, a menos que tivesse manifestado interesse em prosseguir com a sabotagem em nome do governo dos EUA, mas assegurou-me que não, que nem considerou a possibilidade – que estava apenas "curioso", na segunda reunião. "De jeito nenhum", ele me disse. "Imagine que eu faço aquilo, e a avó ou o pai de alguém morre porque a máquina de suporte de vida desligou?"

Lembro desses detalhes, porque discuti o caso com muita gente em 2010 e depois disso, sem jamais revelar a identidade de Kourosh. Hoje, desenterrei do Facebook a velha mensagem que enviei a Trita Parsi, autor e ativista iraniano-norte-americano do Conselho Nacional Iraniano-Norte-americano [ing. National Iranian-American Council (NIAC)], que à época era blogueiro no Huffington Post como eu. Trita autorizou-me a publicar aqui imagens das mensagens:

https://cdn-images-1.medium.com/max/800/1*R94ShXGhAUqRkHDi_MxwBg.png

Para Trita: Você algum dia ouviu falar de iranianos-norte-americanos terem sido abordados por fornecedores privados e/ou agentes do governo dos EUA que os tenham convidado para ações de sabotagem no Irã?

Tenho um amigo que me confidenciou recentemente que foi abordado (é engenheiro) e convidado a fazer "algo muito simples" mas potencialmente prejudicial, quando estivesse no Irã para visitar a família.

Diga, por favor, se você algum dia ouviu falar de coisa semelhante.

 

 

De Trita: Nunca. Conte-me o que descobrir. Mas não me surpreenderia.

Spoiler: Anos atrás, meu marido iraniano-americano e eu tivemos uma empresa de internet na indústria de telecomunicações em Washington; e sou membro fundador do Conselho Tecnológico Iraniano-norte-americano. Significa que conheci muitos engenheiros e profissionais de TI com formação semelhante.

Lembro-me que escrevi a Trita precisamente porque ele estava então muito ligado ao núcleo político dessa comunidade. Seria extremamente perigoso para mim e para os meus colegas na mesma indústria, se o Governo dos EUA estivesse recrutando engenheiros civis iranianos-americanos como sabotadores em outros países.

Este mergulho profundo da jornalista de investigação Whitney Webb no blecaute que assola a Venezuela revela alguns pormenores interessantes sobre um plano de ciberataque da administração Bush contra o Irã. Divulgado pelo New York Times em 2016, o plano "Nitro Zeus" – que envolveu o Comando Cibernético dos EUA – teria por alvo, dentre outros, partes cruciais da rede elétrica do Irã.

Mas é preciso considerar que funcionários norte-americanos pediram a Kourosh que sabotasse a rede elétrica de Teerã durante a administração Obama. Obviamente, aspectos do plano Nitro-Zeus permaneceram sobre à mesa, apesar da mudança de governo, partidos políticos e políticas.

De volta à Venezuela

Foi uma semana cansativa para os venezuelanos que têm de enfrentar o apagão nacional que paralisou o país. Na quinta-feira passada, um "acidente" na usina de energia da represa de Guri, no estado de Bolívar – que gera cerca de 80% da eletricidade do país – deixou pelo menos 20 dos 23 estados venezuelanos sem eletricidade.

Quando a energia começava a ser religada nos estados centrais, um segundo "ataque cibernético" no sábado mergulhou o país de volta na escuridão. As autoridades governamentais acusaram as autoridades norte-americanas de terem atacado a infraestrutura elétrica da Venezuela e dizem que apresentarão provas do crime à ONU e a outras organizações internacionais.

Os Estados Unidos revidaram, atribuindo a falta de energia elétrica à corrupção e negligência que comprometem a infraestrutura no governo do presidente Nicolás Maduro – o qual Washington tem tentado incansavelmente derrubar por golpe de Estado nos últimos meses, até aqui sempre fracassado.

Mas, em meio a esse vaivém de acusações e revides entre adversários de longa data, começam a surgir notícias e análises perspicazes, que sugerem que a hipótese de ataque cibernético dos EUA contra a rede elétrica da Venezuela é, na verdade, cenário muito possível – até mesmo provável.

Diz Kalev Leetaru, da Forbes Magazine:

"No caso da Venezuela, a ideia de um governo como os Estados Unidos interferir remotamente em sua rede elétrica é, na verdade, bastante realista. As operações cibernéticas remotas raramente requerem presença terrestre significativa, tornando-as operação de influência ideal, com alta negabilidade plausível".

"Interrupções generalizadas de energia e conectividade, como a que a Venezuela experimentou na semana passada, também vêm diretamente do manual moderno de jogos cibernéticos. O corte de energia na hora do rush, garantindo o máximo impacto na sociedade civil e muitas imagens pós-apocalípticas midiáticas encaixam-se perfeitamente no molde de uma operação de influência remota tradicional", continua ele.

Para jornalistas que passaram anos cobrindo a guerra não padrão dos EUA no Oriente Médio, os alvos de infraestrutura são, sabidamente, objetos sempre presentes nessas guerras – às vezes são alvo de ataques diretos, às vezes por de ataques 'por procuração' e operações de sabotagem.

Não estou falando apenas de ataques cibernéticos como o vírus Stuxnet criado por EUA/Israel e que destruiu centenas de centrífugas em instalações nucleares iranianas.

Na Síria, por exemplo, os militares dos EUA visaram especificamente grandes infraestruturas econômicas sob o pretexto de "combater o ISIS", incluindo, dentre outros alvos, campos de petróleo, poços e instalações, estações transformadoras de energia, centrais de gás, pontes, canais, uma série de barragens e reservatórios vitais no cinturão agrícola do norte do país – e instalações de produção de energia.

E os agentes locais 'representantes' dos EUA e com integral apoio dos EUA – parte do "exército irregular" do Pentágono e da CIA na Síria – tomavam por alvos fábricas de pão, silos de trigo e moinhos de farinha, para privar de comida as populações, até dos alimentos mais básicos.

Ao contrário das guerras convencionais, a guerra irregular dos EUA serve-se de operações para 'influenciar' a maior parte da população de um país, o "centro indeciso ou não comprometido", e arrastá-lo para apoiar golpes para mudança de regime. Destruir infraestrutura, criar escassez, desencadear violência política, disseminar propaganda – todos esses são passos descritos no Manual de Guerra Não Convencional das Forças Especiais dos EUA para criar uma população insatisfeita, que possa vir a se levantar contra o próprio governo.

E a guerra cibernética é o mais novo teatro de engajamento para o Pentágono, que agora está aumentando abertamente seu investimento em "armas cibernéticas letais", independentemente das baixas civis que esses ataques deixarão em seu rastro.

Até agora, na Venezuela, há cerca de 20 mortos por consequência direta dos apagões, embora fontes da oposição falem já de mais de 70.

O apagão da Venezuela é parte da guerra cibernética dos EUA contra um adversário latino-americano? Os EUA estão envolvidos em uma guerra cibernética contra a infraestrutura iraniana?

Pato cai como pato?

 





Courtesy of Tlaxcala
Source: https://bit.ly/2CkXkXQ
Publication date of original article: 14/03/2019
URL of this page : http://www.tlaxcala-int.org/article.asp?reference=25568

 

Tags: Apagões organizadosIrãVenezuelaCiberguerraImperialismo EUA
 

 
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