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 14/12/2018 Tlaxcala, the international network of translators for linguistic diversity Tlaxcala's Manifesto  
English  
 EUROPE 
EUROPE / A escolha para primeiro-ministro do presidente da Itália é um presente para a extrema-direita
Date of publication at Tlaxcala: 11/06/2018
Original: With his choice of prime minister, Italy’s president has gifted the far right
Translations available: Italiano 

A escolha para primeiro-ministro do presidente da Itália é um presente para a extrema-direita

Yanis Varoufakis Γιάνης Βαρουφάκης Янис Варуфакис يانيس فاروفاكيس

Translated by  Victor Reichenheim

 

Ao defender o status quo, Sergio Mattarella garantiu o sucesso de políticas racistas e populistas.

A Itália deveria estar indo bem. Ao contrário da Grã-Bretanha, a Itália exporta muito mais para o resto do mundo do que importa, e o governo italiano gasta menos (excluindo pagamento de juros) do que arrecada de impostos. Mesmo assim, a economia italiana está estagnada, deixando o povo italiano em estado de revolta após duas décadas perdidas.


Savona, Mattarella e Conte

Por mais que reformas sejam realmente necessárias, aqueles que colocam a ineficiência e a corrupção do país como responsáveis pela estagnação também deveriam explicar porque a Itália cresceu tão rápido no período que vai do pós-guerra até a entrada do país na zona do euro. O governo e a política da Itália eram realmente mais eficientes e virtuosos nos anos 1970 e 1980? Dificilmente.

A única razão para a angústia italiana é a entrada do país em uma união monetária pessimamente construída, que vem sufocando a economia italiana e cujas tão necessárias reformas foram preteridas por uma sucessão de governos alemães.

Em 2015, a população grega elegeu um governo progressista e pró-europeu com um mandato que exigia um novo acordo para a zona do euro. Após um período de seis meses, sob orientação do governo alemão, a União Europeia e seu banco central trataram de nos esmagar. Poucos meses depois, fui perguntado pelo jornal italiano Corriere della Sera se eu achava que a democracia europeia estava ameaçada. Eu respondi: “A Grécia se rendeu, mas a democracia europeia ficou ferida de morte. A menos que os europeus se conscientizem de que a economia é administrada por pseudo-tecnocratas que não foram eleitos, não prestam conta a ninguém e que vêm cometendo uma série de erros graves, nossa democracia permanecerá sendo uma invenção do nosso imaginário coletivo”.

Desde então, o governo pró-establishment do Partido Democrático da Itália implementou uma série de políticas exigidas pelos burocratas não eleitos da UE. O resultado foi mais estagnação. Depois, em março, uma eleição nacional deu uma maioria parlamentar absoluta para dois partidos anti-establishment, que, apesar das diferenças, compartilham o ceticismo em relação à permanência da Itália na zona do euro e a hostilidade a imigrantes. São as duras consequências da falta de perspectiva e de esperança.

Após algumas semanas de negociatas pós-eleitorais, comuns em países como Itália e Alemanha, os líderes do Movimento Cinco Estrelas e da Liga, Luigi Di Maio e Matteo Salvini, firmaram um acordo para formar um governo. Lamentavelmente, o presidente Sergio Mattarella usou os poderes conferidos a ele pela constituição italiana para impedir a formação do governo e entregar o mandato para um tecnocrata e ex-funcionário do FMI, que jamais passaria por um voto de confiança no parlamento.

Se Mattarella tivesse recusado o posto de ministro do interior a Salvini em protesto à sua promessa de expulsar 500.000 imigrantes da Itália, eu seria obrigado a apoiá-lo. Mas, não, o presidente não agiu por princípio. Ele jamais considerou rejeitar a ideia de que um país europeu pretende acionar as forças de segurança para amontoar centenas de milhares de pessoas, encarcerá-las e obrigá-las a subir em trens, ônibus e balsas antes de enviá-las seja lá para onde for!

Não. Mattarella preferiu bater de frente com uma maioria absoluta do Legislativo por outro motivo: o fato de desaprovar o responsável pela pasta da fazenda. Por quê? Porque o senhor em questão, por mais qualificado que seja para o cargo e apesar de ter declarado que seguiria respeitando as regras da UE, expressou dúvidas, no passado, sobre a arquitetura da zona do euro e defendeu um plano para a saída da UE caso fosse necessário. É como se Mattarella estivesse declarando que a qualidade de ponderação é motivo suficiente para destituir um ministro ou uma ministra da fazenda.

O mais impressionante é que não existe nenhum economista sério no mundo que não partilhe da preocupação com relação à arquitetura defeituosa da zona do euro. Nenhum ministro da fazenda prudente se negaria a formular um plano de saída do euro. De fato, tenho base para assegurar que o ministro da fazenda alemão, o Banco Central Europeu e todos os principais bancos e empresas têm planos para uma eventual saída da Itália do euro, ou até mesmo da Alemanha. Mattarella está nos dizendo que o ministro da fazenda não tem permissão para formular um plano de saída?

Além de faltar com a moral ao não se opor à misantropia em escala industrial perpetrada pela Liga, o presidente cometeu um grave erro tático: ele caiu direitinho na armadilha de Salvini. A composição de mais um governo “técnico”, subordinado a um ex-apparatchik do FMI, é um grande presente para o partido de Salvini.

Salvini está secretamente salivando diante da possibilidade de uma nova eleição, pois, além de posar com a misantropia e o populismo desagregador que lhe são peculiares, ele irá posar como o defensor da democracia contra o “Establishment Profundo”. Ele já aludiu à própria autoridade moral ao declarar que “a Itália não é uma colônia, não é escrava dos alemães, dos franceses, dos credores ou do mercado financeiro”.

Se Mattarella se sente consolado com o fato de presidentes italianos anteriores terem conseguido instituir governos técnicos que cumpriram com os ditames do establishment (de forma tão “bem-sucedida” que o centro político do país implodiu), ele está muito enganado. Dessa vez, ao contrário de seus antecessores, ele não tem maioria parlamentar para aprovar um orçamento ou mesmo dar um voto de confiança ao seu governo preferencial. Assim, o presidente se vê obrigado a convocar novas eleições que, graças à sua flexibilidade moral e aos seus tropeços táticos, irão dar uma maioria ainda mais acachapante para as forças políticas xenófobas da Itália, possivelmente incluindo, na aliança, a débil Forza Italia de Silvio Berlusconi.

E depois, Presidente Mattarella?

 





Courtesy of Tlaxcala
Source: https://www.theguardian.com/commentisfree/2018/may/28/italy-eurosceptic-far-right-technocrat-matarella-racist-populist
Publication date of original article: 28/05/2018
URL of this page : http://www.tlaxcala-int.org/article.asp?reference=23545

 

Tags: SalviMaioMattarellaSavonaConteLiga-5EstrelasItáliaEuroditaduraUEropaDestruição da Grécia
 

 
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