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 18/04/2014 Tlaxcala, the international network of translators for linguistic diversity Tlaxcala's Manifesto  
English  
 UMMA 
UMMA / EUA: Nação indispensável (para bombardear)
Date of publication at Tlaxcala: 03/09/2013
Original: US: The indispensable (bombing) nation
Translations available: Deutsch 

EUA: Nação indispensável (para bombardear)

Pepe Escobar

Translated by  Coletivo de tradutores Vila Vudu

 

 

Sim Nós Espionamos. Sim Nós Dronamos. E Sim Nós Bombardeamos. A blitzkrieg [guerra relâmpago] de propaganda da Casa Branca para vender ao Congresso dos EUA o Tomahawk-eamento da Síria já está chegando à rotação máxima pré-bombas – festivamente reproduzida pela imprensa-empresa dos EUA [no Brasil, então, nem se fala! (NTs)]. 

 
E sim, todos os paralelos com Iraque 2.0 foram trazidos devidamente à baila, quando o secretário de Estado John Kerry pontificou que Bashar al-Assad “agora se junta à lista de Adolf Hitler e Saddam Hussein” como monstro do mal. Por que nunca mencionam Pol Pot do Cambodia? Oh yes, porque os EUA apoiaram Pol Pot. 

Cada bola de capim seco que rola pelo deserto de Nevada sabe quem está babando por guerra contra a Síria: vastos setores do complexo industrial-militar; Israel; a Casa de Saud; o ‘socialista’ François Hollande na França, que tem sonhos eróticos com Sykes-Picot. Praticamente ninguém faz lobby no Congresso para que os EUA NÃO FAÇAM guerra à Síria. 

E todo esse tão frenético lobby pró-guerra pode até ser supérfluo! O laureado com o Prêmio Nobel da Paz e iminente bombardeador Barack Obama já deixou claro – com obscena repetição do “eu decidi que os EUA devem empreender ação militar” – que pode atacar a Síria, diga o Congresso o que disser. 

A ‘linha vermelha’ que Obama se autoinfligiu é vírus mutante: de um “tiro de alerta” metamorfoseou-se para “palmada leve” e agora já está com cara de “Eu Sou o Decisor Bombardeador”. Inútil especular sobre seus motivos reais. Seu recurso de desespero a um Congresso extremamente impopular, cheio de idiotas certificados, pode ser um grito de socorro (salvem-me da minha própria estúpida “linha vermelha”); ou – considerando os imperialistas humanitários tipo-Susan-Rice que o cercam – Obama tende a entrar em mais uma guerra para agradar o lobby do Comitê EUA-Israel de Assuntos Públicos [American Israel Public Affairs Committee (AIPAC)] e da Casa de Saud, tentando esconder-se sob a carapaça dos “altos valores morais”. Parte da conversa é que “Israel tem de ser protegida”. Mas fato é que Israel já está super protegida por um Congresso dos EUA teleguiado pelo AIPAC.[1] 

E aquelas provas? 

Os ex-“macaquinhos rendidos comedores de queijo”[2] estão fazendo sua parte, apoiando entusiasticamente as “provas” da Casa Branca, com um relatório que eles mesmos inventaram, baseado em grande parte em inteligência recolhida no YouTube. 

Até o canal Fox News[3] admitiu que a inteligência eletrônica que os EUA têm veio, quase toda, da unidade 8.200 do exército de Israel – versão israelense da Agência de Segurança Nacional dos EUA.Em artigo de hoje, o ex-embaixador da Grã-Bretanha Craig Murray[4] desmonta convincentemente a conversa de que os israelenses teriam interceptado essa comunicação. 

O mais decisivo contragolpe ao que a Casa Branca diz ainda é a matéria da Mint Press News, assinada pelo correspondente da Associated Press Dale Gavlak, escrevendo de Ghouta, Damasco, e que ouviu moradores que se opõem a Assad e disseram que “alguns rebeldes receberam armas químicas por intermédio do chefe da inteligência saudita, príncipe Bandar bin Sultan, e são os responsáveis pelo ataque com gás.” 

Tive um sobressalto quando li – eu também já escrevi sobre o papel de Bandar Bush como entidade maléfica por trás da nova estratégia de guerra contra a Síria.[5] 

Há também o fato de que comandos do exército sírio, dia 24/8, ao invadir túneis ‘rebeldes’ no subúrbio de Jobar em Damasco, encontraram um armazém abarrotado de produtos químicos para preparar “sarin feito em casa”. Os soldados do comando foram atingidos por algum tipo de gás de efeito neurológico e recolheram amostras para serem analisadas na Rússia. O resultado dessa análise, com certeza, é parte da conclusão a que chegou o presidente Vladimir Putin da Rússia, que já disse que as alegações da Casa Branca não têm qualquer fundamento. 

Dia 27/8, Saleh Muslim, presidente do Partido da União Democrática Curda [orig. Kurdish Democratic Union Party (PYD), disse à Agência Reuters que o ataque foi organizado para “culpar Assad”. E por que, caso os inspetores conseguissem provar que foi obra dos ‘rebeldes’, “ninguém daria atenção”. Suspense: “Será que punirão o Emir do Qatar ou o rei da Arábia Saudita? Ou Erdogan da Turquia?” 

Portanto, independente do que tenha acontecido, os moradores de Ghouta já disseram que o autor do ataque é a Frente al-Nusra;[6] e os curdos sírios dizem que foi ataque planejado para inculpar Damasco. 

A essa altura, qualquer advogado decente já teria perguntado “quem se beneficia com o crime?” Que motivo teria Assad – para ultrapassar a “linha vermelha” e lançar ataque com armas químicas, no dia da chegada dos inspetores da ONU a Damasco, com eles a apenas 15 km do local do ataque? 

É o mesmo governo dos EUA que vendeu ao mundo a história de um bando de árabes sem treinamento e armados com abridores de latas, que teriam sequestrado aviões lotados de passageiros para usá-los como mísseis para atacar o espaço aéreo mais protegido do planeta, a serviço de uma organização transnacional do mal. 

E agora, a mesma organização do mal não seria capaz de lançar um ataque rudimentar, com armas químicas rudimentares e foguetes feitos em casa? – A ideia que também me ocorreu, antes até de ler a matéria de Gavlak.[7] E há muito material que comprova que os ‘rebeldes’ há muito tempo têm acesso a armas químicas.[8] Além disso, no final de maio, as forças de segurança turcas já haviam encontrado gás sarin com jihadistas da Frente al-Nusra. 

Assim sendo, por que não perguntar a Bandar Bush?

E volta-se sempre e sempre, e outra vez, àquela fatídica reunião em Moscou, há apenas quatro semanas, entre Putin e Bandar Bush.[9] 

Bandar teve a ousadia de dizer a Putin que “protegeria” os Jogos de Inverno de 2014 em Sochi. Teve a ousadia de dizer que controla os jihadistas chechenos do Cáucaso à Síria. Os quais só estariam esperando a luz verde dos sauditas, para atacar, feito loucos, as partes baixas da Rússia. 

Bandar até entregou seu movimento seguinte: “[nesse caso] não há como escapar da opção militar, porque é a única escolha disponível atualmente, uma vez que o acordo político acabou em impasse.”[10] 

É monstruosa simplificação – em primeiro lugar, porque os sauditas jamais quiseram Genebra-2. Pela agenda ultra sectária da Casa de Saud, de fomentar por toda a parte a cisão de xiitas contra sunitas, a única coisa que conta é quebrar a aliança entre Irã, Síria e o Hezbollah, e custe o que custar. 

A novidade mais recente da Casa de Saud é que o mundo “deve impedir a agressão contra o povo sírio”. Mas, se “o povo sírio” concorda em ser bombardeado pelos EUA, a Casa de Saud também concorda.[11] 

Comparada a esse absurco, a reação de Muqtada al-Sadr no Iraque soa como a voz da razão. Muqtada apoia os ‘rebeldes’ na Síria – diferente da maioria dos xiitas no Iraque; de fato, ele apoia a oposição não armada, e insiste que a melhor solução são eleições livres e justas. Rejeita o sectarismo – fomentado pela Casa de Saud. E, porque sabe que se trata só de ocupação militar pelos EUA, também rejeita qualquer bombardeio norte-americano. 

A aliança estratégica Bandar Bush & AIPAC não deixará alma viva, para obter essa guerra. Em Israel, Obama já está sendo pintado, previsivelmente, como “traidor e covarde” frente a “o mal”. A avalanche das Relações Públicas israelenses sobre o Congresso está centrada em ameaçar com um ataque unilateral contra o Irã, caso o governo dos EUA não ataque a Síria. Verdade seja dita: o Congresso aprovaria entusiasmado ataques simultâneos, para os dois lados. O QI coletivo ali pode ser abaixo da idiotia, mas alguns podem ser levados a concluir que o único meio para “castigar” o governo Assad é mandar os EUA fazerem o serviço pesado com a Força Aérea, para os muitos ‘rebeldes’ e, claro, jihadistas – do mesmo modo como a Aliança do Norte no Afeganistão, a peshmerga curda no Iraque e os mercenários anti-Gaddafi na Líbia tanto apreciaram. 

E assim temos, resumida, a nação indispensável, que afogou o Vietnã do Norte sob um mar de napalm e agente laranja, que inundou Fallujah sob uma tempestade de fórforo branco, e vastas áreas do Iraque com urânio baixo-enriquecido, aí, já pronta para lançar um coisa dessas, “limitada”, “cinética”, o nome que inventem agora, contra um país que não atacou os EUA ou qualquer aliado dos EUA. E tudo baseado em prova muito menos que confiável, e sem parar de falar em “altos princípios morais”.

Quem acredite na conversa da Casa Branca, de que serão só uns poucos Tomahawks a descer dos céus sobre bases militares desertas... que alugue casa no País das Maravilhas de Alice. O projeto de resolução que já circula no Capitólio é apavorante.[12] 

E ainda que venha a ser seja lá o que for “limitada” e “cinética”, só perpetuará o caos. O ministro russo de Relações Exteriores Sergei Lavrov falou de “caos controlado”. Não. O Império do Caos está totalmente fora de controle.

[2] Orig. “"cheese-eating surrender monkeys", em referência (depreciativa) aos franceses. A expressão apareceu num episódio de “Os Simpsons”, de 1999 (no YouTube  http://www.youtube.com/watch?v=FUjGf2Grrus) [NTs].

[4] 31/8/2013, Craig Murray, "A charada dos Troodos"

[5] 13/8/2013, Pepe Escobar, “Bandar Bush, ‘libertador’ da Síria

[9] 27/8/2013, “O presidente russo e o chefe dos espiões sauditas discutiram Síria, Egito”, Al-Monitor (port. em . Ver também 4/8/2013, “Um espião tentou escalar o muro do Kremlin”,  MK Bhadrakumar.

 





Courtesy of Tlaxcala
Source: http://www.atimes.com/atimes/Middle_East/MID-01-030913.html
Publication date of original article: 03/09/2013
URL of this page: http://www.tlaxcala-int.org/article.asp?reference=10479

 

 
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