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 25/06/2018 Tlaxcala, the international network of translators for linguistic diversity Tlaxcala's Manifesto  
English  
 USA & CANADA 
USA & CANADA / Vlad a Marreta versus Obama o Bebê-chorão
Date of publication at Tlaxcala: 11/08/2013
Original: Vlad the Hammer vs Obama the Wimp
Translations available: Español  Deutsch 

Vlad a Marreta versus Obama o Bebê-chorão

Pepe Escobar Пепе Эскобар

Translated by  Coletivo de tradutores Vila Vudu

 

 “Faça um plano; em seguida, faça outro plano. Nenhum deles funcionará.”  

(Bertolt Brecht)


Essa coisa já está ficando ridícula. O President of the United States (POTUS) [Presidente dos EUA, PEUA] berrou e esperneou, porque queria que queria que queria de volta seu espião (Edward Snowden). Snowden, nos termos que determinam as leis russas, recebeu asilo temporário. A Casa Branca ficou “desapontada”.

 
Então, o PEUA esnobou o encontro bilateral com o presidente da Rússia Vladimir Putin em Moscou, que coincidiria com o encontro do G20 em São Petersburgo no início de setembro. O Kremlin ficou também “desapontado”.
 
Putin telegrafou a George “Dábliu” Bush – com votos de pronta recuperação de cirurgia cardíaca.[1]  PEUA foi a um talk-show nos EUA e disse que a Rússia “escorregou para trás, de volta a ideias da Guerra Fria e a uma mentalidade de Guerra Fria.”
 
Adequado distanciamento brechtiano ensina que “ridículo” é pouco; que não basta nem para dar a partida de alguma crítica a esse ‘comentário’. A mentalidade de Guerra Fria vive hoje impregnada nos genes do governo dos EUA em Washington – do Capitólio ao Pentágono. Quanto a Obama-PEUA, falou como, no máximo, diletante metido a diplomata.

Yes, We Can [Sim, podemos] foi convertido em Yes, We Scan [Sim, espionamos]; e agora já está virando Yes, We Scorn [Sim, escarnecemos]. Aplica-se também àquele sortimento de poodles de sangue europeu. Mas não faz nem cócegas em Vlad a Marreta.
 
Para justificar a decisão, a Casa Branca falou de “falta de progresso” em tudo, inclusive nos mísseis de defesa, controle de armas, relações comerciais e de troca, questões da segurança global, direitos humanos e sociedade civil. Bobagem e mais bobagem. Tratou-se exclusivamente de um PEUA impotente impedido de avançar em sua guerra contra os sentinelas-vazadores [orig. whistleblowers].

Yury Ushakov, assessor de Putin para assuntos internacionais, aproximou-se bem mais da verdade; disse que “os EUA são incapazes de construir relações sobre bases igualitárias.”
 
Como um urso polar que caça sua foca, Vlad a Marreta sente que Obama manca, claudicação de proporções Carter-escas. Foi um bater de olhos, e Putin avaliou o quanto o governo Obama estava reduzindo a cinzas sua já claudicante credibilidade, e simultaneamente em duas frentes: por causa da escala do complexo orwelliano/Panóptico que Snowden expôs ao mundo; e pela violência ensandecida com que Obama insiste em caçar Snowden pelo mundo.
 
Como mais meia dúzia de pregos pregados no esquife da imprensa-empresa norte-americana, o New York Times publicou editorial – há quem diga que teria sido ‘sugerido’ pela Casa Branca –, no qual tenta justificar o cancelamento do encontro: “O sr. Putin é líder repressivo e arrogante, que trata o próprio povo com desprezo.”[2]  É. E a Branca de Neve mora na Casa Branca.
 

Todos a bordo pela Trans-siberiana

O alarido adolescente do Obama-PEUA nada tem a ver com Guerra Fria. Para começar, EUA e Rússia dependem crucialmente um do outro em vasta lista de questões. Mas nesse fim-de-semana, alguns adultos estarão discutindo essas questões em Washington, pelo menos no plano teórico, quando o ministro de Relações Exteriores Sergei Lavrov e o Ministro da Defesa da Rússia, Sergei Shoigu, reunir-se-ão com o secretário de Estado dos EUA John Kerry e Chuck Hagel, chefe do Pentágono.
 
Basta que Vlad dê a ordem, e a já humilhante retirada do Afeganistão, dos exércitos de EUA/OTAN – postos para correr de lá, chutados no traseiro por um bando de pashtuns armados com fuzis Kalashnikovs falsos – será convertida em desastre cataclísmico.
 
Vladimir-Putin-Harley.jpg
 
Vlad pode calibrar com minúcia o apoio russo ao governo de Bashar al-Assad na Síria – especialmente depois que o chefe da inteligência saudita, príncipe Bandar “Bush” bin Sultan correu a visitá-lo em Moscou e, ao que se conta, ofereceu-se para comprar quantos carregamentos de armas a Rússia queira vender, desde que a Rússia desista de Assad.[3]  Putin não piscou. A verdade é que Bandar não teria empreendido a viagem nem tentado o negócio, sem “consultar” seus patrões norte-americanos.
 
Vlad pode oferecer abundante apoio diplomático extra ao novo governo do presidente Rouhani no Irã – inclusive, e crucialmente importantes, novos negócios de armas; e pode ajudar a firmar a posição de Teerã em possíveis futuras negociações com Washington.
 
No Cáucaso, Vlad navega com vento em popa. A Georgia é hoje muito menos adversária de Moscou. E no Oleogasodutostão, a Rússia influenciou a decisão do Azerbaijão de privilegiar o Oleogasoduto Trans-Adriático [orig. Trans-Adriatic Pipeline (TAP)], em detrimento do perenemente condenado Nabucco Oeste, e imediatamente se mudou e passou a dar mais solidez à cooperação energética entre a empresa SOCAR do Azerbaijão e a Rosneft da Rússia. Georgia e Azerbaijão sempre foram considerados aliados “firmes” dos EUA.
 
Na Europa, todos os pilotos de navios de cruzeiro do Reno sabem sobre a parceria estratégica entre Rússia e Alemanha. Nas negociações de gás natural com Itália, França e Polônia, por exemplo, o nome do jogo russo é garantir contratos de longa duração cheios de quebras de preços e esquemas de tributos.
 
Na Europa Central e do Leste, Vlad também navega – claro – com vento em popa, com a Rússia comprando montanhas de ativos estratégicos (fábricas, indústrias químicas e empresas de transporte).
 
E há também o crucial gambito Trans-Siberiano. Viajei duas vezes pela Trans-Siberiana, no inverno, no início dos anos 1990s e, depois, no final da década; e que viagens! Naquele tempo, tratava-se quase exclusivamente de russos empobrecidos, comprando tudo que encontrassem na China e de chineses espertos vendendo tudo que pudessem vender na Rússia. Atualmente, se trata só de carga pesada. A Trans-Siberiana movimenta nada menos que 120 milhões de toneladas de carga por ano – e aumentando; é pelo menos 13% do comércio de contêineres entre Europa e Ásia. A Rússia está investindo numa expansão de US$17 bilhões e acrescentando 55 milhões de toneladas de capacidade de carga extra.
 
E acrescente-se a triplicação da capacidade dos terminais costeiros do Pacífico russo, até 2020; a expansão do porto de São Petersburgo; o fornecimento, pela empresa Siemens, de 675 locomotivas elétricas de carga, como parte de um negócio de $3,2 bilhões.
 
O nome do jogo aqui é a Rússia cada vez mais exportando sua produção agrícola por todos os meios possíveis. Pelo menos, 250 mil barris de petróleo/dia – e aumentando – deslocam-se da Rússia para a Ásia. A ampliação da Trans-Siberiana operará maravilhas no comércio Europa-Ásia. Pela estrada Trans-Siberiana, produtos asiáticos chegam à Europa em 10 dias: por mar, da Coréia do Sul ou Japão, são pelo menos 28 dias até a Alemanha. Não surpreende que Japão e Coreia do Sul sejam grandes fãs da Trans-Siberiana. E de um ponto de vista europeu, nada bate a Trans-Siberiana, caminho mais barato e mais rápido para a Ásia.

Não faço nem ideia...*

Guerra Fria? Só como parte do business da nostalgia. Com a Europa em coma; fricções múltiplas entre Europa e EUA; Pequim olhando mais para dentro que para fora e tentando resolver o enigma de como estimular seu modelo de desenvolvimento; e com o governo Obama paralisado-catatônico, Moscou identificou aí a abertura perfeita com que sonhava e embarcou sem meias medidas, numa expansão comercial estratégica.
 
O governo Obama não faz nem ideia – e a Think-tank-lândia, então, menos ainda. A ignorância é absoluta, total. Ninguém em todo o ‘circo’ do governo na Beltway jamais conseguiu articular qualquer coisa que se aproximasse, que fosse, pelo menos, de uma sólida política para a Rússia; só ‘sabem’ demonizar Putin. É ótimo para Vlad a Marreta, que se tem atentamente dedicado a construir uma nova realidade estratégica não só na periferia da Europa, mas também no centro. A Rússia voltou – e arrebentando!
 
Nesse esquema mais amplo de coisas, de uma deriva rumo a um ambiente pós-pós Guerra Fria, o affair Snowden é só uma das peças do quebra-cabeças. E é onde o pessoal é perfeita imagem especular do político. Vlad a Marreta sabe exatamente o que está fazendo – enquanto Obama o Bebê-chorão está com cara de alce atropelado de frente por uma locomotiva na Trans-Siberiana.

 





Courtesy of Tlaxcala
Source: http://www.atimes.com/atimes/World/WOR-01-090813.html
Publication date of original article: 09/08/2013
URL of this page : http://www.tlaxcala-int.org/article.asp?reference=10306

 

Tags: Edward SnowdenRússiaPutinEUAObama
 

 
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